Tifanny se manifesta contra nova política da CBV após estreia pelo Osasco: “enorme retrocesso”
Atleta fez um desabafo sobre a nova política de elegibilidade anunciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV): “O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem.”

A jogadora Tifanny Abreu, do Osasco, se manifestou sobre a nova política de elegibilidade anunciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Após a derrota do Osasco por 3 sets a 2 para o Pinheiros, no sábado (15), pela primeira rodada do Campeonato Paulista, a atleta classificou a mudança como um “enorme retrocesso” e afirmou que a medida pode afetar sua continuidade no esporte.
Aos 41 anos, Tifanny afirmou que o voleibol representa sua profissão e destacou o período em que atua na categoria feminina.
“O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem.”
Em conversa com a imprensa, a atleta também ressaltou que, em sua avaliação, os impactos da decisão ultrapassam sua situação individual e atingem clubes, torcedores, patrocinadores e outras pessoas trans. Ao comentar a nova política, Tifanny afirmou ainda que considera a medida um retrocesso nas discussões sobre inclusão no esporte.
“É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e inclusão de todas as pessoas no esporte. Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam as atletas nos anos 60 e 70. Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais.”
O que muda com a nova política da CBV
A CBV anunciou na última sexta-feira (14) uma nova política de elegibilidade para atletas que participam das competições nacionais de vôlei de quadra e de praia. A entidade informou que adotará diretrizes baseadas nas novas orientações do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Entre os critérios está uma triagem genética para verificar a presença do gene SRY, associado ao cromossomo Y e a características sexuais e biológicas masculinas. Segundo a CBV, atletas que não apresentarem a comprovação de elegibilidade exigida não poderão disputar as competições abrangidas pela normativa.
A regra será aplicada a partir da Superliga A e B da temporada 2026/27, além da Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e CBVP Challenger 2027.
A confederação também informou que a recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar. A consequência, entretanto, será a impossibilidade de disputar as competições caso a atleta não apresente a comprovação exigida.
Tifanny segue liberada no Campeonato Paulista
Apesar da nova política nacional, Tifanny poderá continuar defendendo o Osasco no Campeonato Paulista. Isso ocorre porque o Estadual começou antes da publicação da nova normativa da CBV.
Tifanny na estreia do Paulista / Foto: @osascovoleibolclube-@carol_fotografia
A Federação Paulista de Vôlei (FPV) informou que o campeonato seguirá as regras vigentes quando a competição teve início, em 13 de agosto. A política da CBV foi divulgada no dia seguinte, 14 de agosto.
Dessa forma, a nova regra não será aplicada imediatamente ao Campeonato Paulista. Eventuais alterações futuras deverão ser analisadas pelos departamentos jurídico e de saúde da entidade paulista.
A situação é diferente nas competições organizadas diretamente pela CBV. Caso a política permaneça nos termos anunciados, Tifanny ficará impedida de participar da Superliga 2026/27, da Supercopa e da Copa Brasil.
Osasco manifesta apoio à atleta
O Osasco Voleibol Clube também se posicionou após o anúncio da CBV. Em nota publicada nas redes sociais, o clube afirmou que foi surpreendido pela nova política e informou que não participou previamente da elaboração da normativa.
“O Osasco São Cristóvão Saúde informa que foi surpreendido hoje com a informação da nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina, publicada nesta sexta-feira (14), pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Tal política foi elaborada sem qualquer participação ou opinião prévia do clube.”
O clube destacou ainda que a decisão afeta diretamente Tifanny, que defende o Osasco desde 2021. Segundo o Osasco, o departamento jurídico foi acionado para avaliar a normativa e definir os próximos passos.
Ao final da manifestação, o clube reafirmou o apoio à jogadora.
“O clube reafirma seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história.”