Trabalhadores ocupam Calçadão de Osasco em ato pelo fim da escala 6×1
Mobilização realizada nesta quarta-feira (27) reforça pressão sobre a Câmara dos Deputados para a votação da pauta no plenário.

Trabalhadores e lideranças sindicais de diversas categorias ocuparam o Calçadão de Osasco, nesta quarta-feira (27), em ato pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada para 40 horas semanais. A luta exige também a manutenção integral dos salários atuais.
O local escolhido possui caráter simbólico por reunir o polo comercial da cidade. No Calçadão, a maioria dos estabelecimentos adota o regime de seis dias de trabalho por um de folga, de acordo com os organizadores do ato. Lideranças sindicais afirmam que este modelo provoca exaustão física e mental na classe trabalhadora.
José Elias de Gois, presidente do Cissor (Conselho Intersindical de Saúde e Seguridade Social de Osasco e Região), defendeu a mudança como um benefício coletivo. “É importante o fim da escala 6×1 para que o trabalhador venha a se beneficiar e, assim, produzir com mais qualidade. Isso resulta em ganhos para todos: ganha o trabalhador, ganha o empregador e ganha o país”, declarou.
Mobilização reuniu diversas categorias / Fotos: Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região
Gilberto Almazan, o Ratinho, preside o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região. Ele citou exemplos de sucesso na indústria local com a jornada de 40 horas. Segundo ele, a produção não sofreu quedas e os postos de trabalho foram preservados após a adoção do modelo.
Ratinho lembrou que a última alteração nacional na jornada ocorreu em 1988. “Desde lá, o PIB cresceu. Isso significa que o trabalhador produz mais do que nunca. É justo que tenha mais tempo para descanso e lazer”, completou o dirigente.
Elisangela Calmon, coordenadora da subsede da CUT São Paulo, rebateu propostas que visam o aumento da carga horária para 52 horas. “Não aceitaremos que deputados que trabalham três dias venham dizer que nós temos que trabalhar até a exaustão”, afirmou.
A mobilização em Osasco acompanhou outros protestos pelo Brasil. A pauta aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (28). Durante o ato, os manifestantes criticaram tentativas de alguns parlamentares em adiar o debate.
LEIA TAMBÉM// Nova NR-1 entra em vigor: empresas que ignorarem saúde mental dos funcionários poderão ser multadas