Endometriose: dor intensa não deve ser normalizada e exige diagnóstico precoce
Endometriose afeta milhões de mulheres e pode causar dor intensa. Especialistas alertam para diagnóstico precoce e tratamento adequado.
A Endometriose afeta cerca de 8 milhões de mulheres no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e ainda é cercada por desinformação e diagnósticos tardios. Um dos principais obstáculos é a normalização da dor menstrual intensa, frequentemente tratada como algo comum, o que pode atrasar a busca por atendimento médico.
Caracterizada pelo crescimento do endométrio — tecido que reveste o útero — fora da cavidade uterina, a doença pode provocar dor crônica, inflamação e até infertilidade. Esse tecido pode atingir órgãos como ovários, trompas, intestino e bexiga, ampliando a complexidade do quadro clínico.
De acordo com a ginecologista Vânia Marcella Calixtrato, a endometriose exige uma abordagem multidisciplinar. “É uma condição que pode impactar profundamente a qualidade de vida da paciente, não apenas pela dor, mas também pelas consequências emocionais e reprodutivas”, explica.
A campanha Março Amarelo, realizada no mês passado, busca ampliar o debate sobre a doença e incentivar o diagnóstico precoce. Entre os fatores de risco, estão a predisposição genética, menstruação precoce (antes dos 11 anos) e fluxos menstruais intensos. Embora o estilo de vida não seja a causa direta, hábitos inflamatórios e o sedentarismo podem agravar os sintomas.
Quando a cólica é um sinal de alerta
Diferenciar uma cólica menstrual comum de um possível quadro de endometriose é um dos principais desafios. Enquanto o desconforto habitual tende a diminuir com analgésicos e ao longo do ciclo, a dor causada pela doença é persistente, intensa e, muitas vezes, incapacitante.
Além disso, outros sintomas podem estar associados, como dor durante as relações sexuais, sangramentos fora do período menstrual, dificuldade para engravidar e dores ao urinar ou evacuar durante a menstruação. A recorrência desses sinais deve ser investigada por um especialista.
Diagnóstico ainda é tardio
Segundo o Instituto Endometriose, o diagnóstico da doença pode levar de 7 a 10 anos para ser confirmado. Isso ocorre devido à semelhança dos sintomas com outras condições, como miomas e síndrome do intestino irritável.
Exames laboratoriais, como o CA-125, não são conclusivos. O diagnóstico depende da análise clínica associada a exames de imagem, como a ressonância magnética e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal. Em alguns casos, a laparoscopia é necessária para confirmação.
Tratamento e qualidade de vida
Embora não tenha cura definitiva, a endometriose pode ser controlada com diferentes abordagens terapêuticas. O tratamento inclui o uso de analgésicos, terapias hormonais — como o DIU — e medicamentos que atuam na redução do estrogênio.
A cirurgia é indicada apenas em casos específicos, especialmente quando há comprometimento de órgãos ou quando os tratamentos clínicos não apresentam resultados satisfatórios.
Estilo de vida como aliado
A adoção de hábitos saudáveis também desempenha papel importante no controle da doença. Uma alimentação rica em antioxidantes e compostos anti-inflamatórios, como ômega-3, cúrcuma, frutas e vegetais, pode ajudar a reduzir os sintomas.
A prática de atividades físicas, como caminhada e yoga, contribui para a melhora da circulação e redução do estresse, fatores que impactam diretamente na intensidade das dores.
Para especialistas, o principal alerta é claro: dor intensa não deve ser considerada normal. A informação e o acompanhamento médico são fundamentais para garantir qualidade de vida às pacientes.