O grave alerta dos EUA e suas repercussões: A urgência da segurança para o futuro do Turismo brasileiro
Alertas de segurança dos EUA expõem desafios do Brasil. Em sua coluna no Visão Oeste, Edson Pinto discute o impacto no turismo e as iniciativas necessárias para um ambiente mais seguro e próspero.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu recentemente um alerta robusto para seus cidadãos, pedindo que exerçam maior cautela ao visitar o país devido aos riscos persistentes de criminalidade e sequestro. Este alerta foi atualizado em 30 de maio de 2025, após um incidente recente envolvendo viajantes americanos, e detalha a prevalência de crimes como furtos, roubos à mão armada, sequestros-relâmpago, fraudes com cartões de crédito e golpes tipo “boa noite cinderela”.
O comunicado destaca a necessidade de adotar medidas de segurança proativas, como evitar áreas consideradas de alto risco, especialmente à noite, não ostentar itens de valor (joias, eletrônicos caros), e estar sempre atento aos arredores. Aconselha-se também a utilização de transportes oficiais e a não resistência em caso de assalto, priorizando a segurança pessoal. Em fevereiro de 2025, uma advertência semelhante e específica foi feita para o período do Carnaval.
Essas advertências não são apenas burocráticas; elas refletem um cenário que impacta diretamente a percepção internacional sobre o Brasil e, consequentemente, o fluxo turístico. A reputação de um destino é construída não apenas por suas belezas, mas fundamentalmente pela segurança que oferece.
Impacto no Setor de Turismo
O Brasil é inegavelmente reconhecido por seu imenso potencial turístico, abrigando uma diversidade ímpar de atrações culturais, naturais e históricas. Contudo, o desafio de ultrapassar a marca de 7 milhões de turistas internacionais por ano persiste, em grande parte devido às questões de segurança que afetam a confiança dos viajantes. Em 2024, o país recebeu 6.773.619 visitantes, uma cifra positiva que demonstra recuperação pós pandemia, mas que ainda está muito aquém do seu verdadeiro potencial. Para contextualizar, países como a França recebem anualmente cerca de 90 milhões de turistas, a Espanha mais de 80 milhões, e os Estados Unidos, mais de 70 milhões. Essa diferença colossal evidencia o quanto a insegurança é um gargalo para o crescimento do setor no Brasil, resultando em perdas econômicas significativas em termos de divisas, investimentos e geração de empregos.
Desafios e Iniciativas
A complexidade do sistema de segurança pública no Brasil é um desafio multifacetado, caracterizado por uma fragmentação institucional onde diversas forças policiais (federal, estaduais, municipais) e órgãos de inteligência frequentemente operam com pouca colaboração e integração. Essa desarticulação não só dificulta a criação de uma estratégia de segurança unificada e eficaz, como também alimenta a percepção de insegurança e a falta de responsabilização. A ausência de um fluxo contínuo de informações e de ações coordenadas permite que a criminalidade se adapte e persista.
Mesmo diante desses desafios, iniciativas importantes sinalizam caminhos promissores para a mudança. Programas como o “Turismo Seguro”, que visa integrar ações de segurança pública com o setor turístico, e a criação de Delegacias de Apoio ao Turista (DEATur), que oferecem atendimento especializado e bilíngue para vítimas de crimes, são passos na direção certa. A expansão dessas iniciativas, aliada a parcerias público-privadas (PPPs) para investimentos em infraestrutura de segurança (como monitoramento por câmeras e iluminação pública) e treinamento contínuo das forças policiais com foco no acolhimento ao turista, são cruciais para reverter o cenário atual.
Investimentos e Impactos Econômicos
O governo brasileiro tem demonstrado um crescente interesse em fortalecer o setor turístico, investindo em programas de promoção e buscando ativamente atrair investimentos estrangeiros. Esses esforços têm resultado em um crescimento significativo do setor, com a modernização de aeroportos, a expansão da rede hoteleira e o desenvolvimento de novos roteiros turísticos. No entanto, um ambiente mais seguro é o catalisador fundamental para maximizar esses investimentos.
A segurança é um fator multiplicador: um destino percebido como seguro impulsiona o consumo de bens e serviços, aumenta exponencialmente o número de visitantes e, consequentemente, gera mais empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva do turismo – desde o transporte e hospedagem até o comércio local, gastronomia e artesanato. Essa dinâmica contribui de forma decisiva para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, gerando divisas e fortalecendo a economia nacional. A confiança do investidor e do turista está intrinsecamente ligada à estabilidade e segurança do ambiente.
Perspectivas Futuras
Com um foco estratégico e contínuo em segurança, infraestrutura de ponta e uma política de promoção turística agressiva, o Brasil tem todas as condições para não apenas alcançar, mas superar a ambiciosa meta de 10 milhões de turistas internacionais anualmente. Isso consolidaria o país como um dos principais destinos turísticos globais, competindo em pé de igualdade com nações que já dominam esse mercado. Para isso, é fundamental a adoção de tecnologias de segurança avançadas, o engajamento das comunidades locais na promoção de um turismo responsável e a cooperação internacional para o intercâmbio de melhores práticas em segurança turística.
O “puxão de orelha” internacional que o Brasil tem recebido deve servir como um poderoso catalisador. Que este alerta seja a lição necessária para que as autoridades brasileiras tratem a questão da segurança pública com a coragem, a prioridade e a seriedade que ela exige. Afinal, um país só é verdadeiramente bom para o turista quando ele é bom e seguro para seus próprios cidadãos. O SinHoRes Osasco – Alphaville e Região apoia e apoiará fortemente qualquer ação dos prefeitos da nossa região que tenham foco na melhoria da segurança das pessoas.
Conclusão
Vamos juntos construir um Brasil seguro, acolhedor e próspero para todos. Um país onde o turismo não apenas floresce, mas o faz de forma sustentável e responsável, e onde cada cidadão se orgulha não só de suas belezas naturais e culturais, mas também da segurança e da qualidade de vida que o oferece. O momento de agir, de inovar, de integrar esforços e de unir forças entre governo, setor privado e sociedade civil é agora!