quarta-feira, 03 de junho de 2026
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Maria do Amparo Pereira Lopes

O superendividamento no Brasil: entre a publicidade abusiva e a dignidade da pessoa humana

Nos últimos anos, o superendividamento tornou-se um dos maiores problemas sociais e jurídicos do Brasil.

Por Maria do Amparo Pereira Lopes | Atualizado em: 23/10/2025 21:21
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Nos últimos anos, o superendividamento tornou-se um dos maiores problemas sociais e jurídicos do Brasil. A facilidade de acesso ao crédito, aliada a práticas abusivas de instituições financeiras e à falta de educação financeira da população, tem colocado milhares de famílias em situação de vulnerabilidade, comprometendo sua subsistência e a dignidade da pessoa humana.

A Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, trouxe avanços significativos ao Código de Defesa do Consumidor, como a possibilidade de repactuação coletiva de dívidas e a proteção do mínimo existencial. No entanto, sua efetividade depende da atuação conjunta do Poder Judiciário, Defensoria Pública, advocacia e sociedade civil.

Um dos fatores que mais contribui para esse cenário é a publicidade abusiva, que induz consumidores, especialmente os mais vulneráveis, a contratar empréstimos sem plena consciência das consequências financeiras. Ofertas de crédito sem consulta ou dinheiro rápido exploram fragilidades, violando direitos previstos nos arts. 36 e 37 do CDC.

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O superendividamento não deve ser tratado apenas como problema individual, mas como questão social e estrutural. Para mudar essa realidade, é preciso fortalecer a fiscalização, investir em programas de educação financeira e incentivar práticas de crédito responsável por parte das instituições financeiras.

Somente com a conjugação dessas medidas será possível reduzir o superendividamento e resguardar a dignidade da pessoa humana, conforme previsto na Constituição Federal e reforçado pela jurisprudência dos tribunais brasileiros.

 

Autor

  • Maria do Amparo Pereira Lopes é advogada e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Osasco. Mulher com deficiência, natural de Itaueira (PI) e residente em Osasco (SP), é defensora dos direitos humanos, com atuação voltada à inclusão, à cidadania e à justiça social. Desde que chegou a Osasco, acompanha o trabalho do Espaço da Cidadania, onde encontrou inspiração para lutar por uma sociedade mais justa e acessível a todas as pessoas.

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