sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Antônio Carlos Roxo

A realidade e o sonho!

Em artigo, Antônio Carlos Roxo analisa a trajetória de 65 anos da Coopergran de Osasco, desde seu papel histórico até a crise atual. A partir de um seminário internacional e do olhar de Paul Singer, ele reflete sobre os desafios da economia solidária.

Por Antônio Carlos Roxo | Atualizado em: 27/10/2025 18:56 Siga-nos no Google News
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Em setembro passado, participei do XX Seminário Internacional de Processos Associativos e Cooperativos (PROCOAS) em Assunção, Paraguai, na mesa “La Educación cooperativa y la cultura solidaria como motor de desarrollo”, com apresentação de texto em coautoria com o professor Flávio Tayra, da Unifesp/Eppen: “A trajetória da Coopergran em Osasco (SP/Brasil): Desafios e reestruturação sob a perspectiva da Economia Solidária”.

Contamos a história da Cooperativa, desde sua criação em 13 de novembro de 1959 até os dias atuais. Suas lutas e desafios, que, ao completar 65 anos, passa por uma profunda crise que pode levá-la à lona. Registraram-se momentos difíceis e seu compromisso com a solidariedade. Sede do movimento de anistia aos que lutaram contra a ditadura, assim como participante ativa da campanha Fome Zero e também da discussão sobre o Plano Diretor da cidade, solidária, acolheu a diretoria do Sintrasp, quando de sua demissão no governo Rossi, abrigando a sede do sindicato até a readmissão, dada sua ilegalidade.

A reflexão caminhou no sentido de avaliar as necessidades da cooperativa, sem desfigurar seu projeto, com as adaptações naturais dadas as mudanças estruturais em seu período histórico. Apresentaram-se diretrizes norteadoras para recuperar o engajamento inicial.

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O surgimento dos marketplaces, se deu injeção de ânimo na sua vida, por outro lado, contribuiu para sua fragilidade, dado que a venda nos marketplaces, se aumenta o giro, obriga os vendedores a se adequarem e vender com margem muito baixa. Com a saída das indústrias de Osasco, sua base de apoio se enfraqueceu, perdendo dinamismo. Ressalte-se a solidariedade do Secor, SindMetal e Sinpro.

Ao fazer um curso sobre Economia Solidária na USP, ministrado por ninguém mais, ninguém menos, que Paul Singer, o guru da Economia Solidária, apresentei um texto contando a história da Coopergran, registrado no livro Crônicas de Primeira Hora. Recebi o retorno do mestre com a seguinte nota: “Meu caro Roxo: Acabo de ler o seu trabalho e faço questão de lhe escrever para dizer como ele me emocionou. O registro ficou ótimo и é um grande testemunho de um cooperativismo operário de valores solidários e socialistas, de que eu tinha as mais vagas referências. As suas conclusões merecem ser lidas e refletidas. Abraço do Singer”.

No dito Seminário, identificavam-se (apresentação de professor da Universidade Federal de Pelotas) cinco motivos principais pelos quais iniciativas de economia solidária não prosperaram:

1 – Negligência das condições de mercado (só associativa).
2- Negligência da importância da autogestão (mimetizando a organização capitalista, desprezando a solidariedade).
3- Captura do coletivo por interesses particulares (empreendimento passa a funcionar para os interesses de poucos, interesses particulares se sobrepõem).
4 – Quando o empreendimento se apresenta como viável, e o êxito fica para a promoção política. Captura do êxito por alguns.
5- Empreendimento vítima de políticas públicas que, mesmo com a melhor das intenções, desenham uma política que não contribui.

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Examinando os cinco pontos, atentei que faltava um: a realidade maior que o sonho. Será que a atual situação da Coopergran é exemplo disso? Ou melhor, será que este patrimônio histórico de Osasco, sua saga, не é suficiente para trazer a realidade (comunidade) de encontro ao sonho?

 

Autor

  • Antônio Carlos Roxo é Economista pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor pela Universidade de São Paulo.

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