terça-feira, 25 de agosto de 2026
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Antônio Carlos Roxo

Vendilhões

“E disse-lhes: Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões’.” Mateus 21:12

Por Antônio Carlos Roxo | Atualizado em: 25/08/2026 17:57 Siga-nos no Google News
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“E disse-lhes: Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões’.” Mateus 21:12.

Esta é uma das poucas, senão a única vez, que Jesus usou da força para expulsar os vendilhões do templo.

O coronel e ministro Jarbas Passarinho, em 1968, quando o alto comando do regime se reuniu para aprovação do AI-5, escancarando o perfil autoritário e violento da ditadura, em um acesso de sinceridade, ao assinar o Ato, exclamou: “Às favas, senhor presidente, dane-se os escrúpulos!”

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Na vida, política incluída, muitos se apropriam da admiração quase filial, na fé, para induzir seus fanáticos a lutas inglórias, como defender propostas que muitas vezes vão contra seus próprios interesses, repetindo como um mantra sua devoção. Decidir é difícil; muito mais cômodo, achar um “pai” para definir o que é certo ou errado, fugir da angústia de decidir.

Na pandemia, isso foi frequente. O medo que pairava no ar, assombrando a todos, diminuiu na medida em que o “mito”, orgulhosamente, se apresenta sem máscara, sem vacinar-se, em aglomerações e receitando cloroquina.

Quantos não seguiram estas diretivas, as disseminando, obediência total, sem travas, nem críticas, sem dúvidas.

No Brasil de hoje, qual os vendilhões do templo, brasileiros se denominando patriotas justificam e apoiam as medidas de Trump contra a economia brasileira, tarifaço em cima de tarifaço. O candidato a presidente da família Bolsonaro encaminhou carta ao presidente dos EUA, pedindo a suspensão do tarifaço, para vigorar após a eleição. O desplante e cara de pau são tão patentes, a falta de escrúpulos, o servilismo total a país estrangeiro, aos desígnios de Trump, é escancarado ao “candidamente” pedir o adiamento, não sua extinção. O país pode ser prejudicado, mas só após a eleição. Subserviência tamanha que é desconsiderada. Minto, foi paga, sim, com o Green Card ao 02. Retribuição à ousadia antipatriótica. A sabujice é tamanha que propôs, inclusive, trocar o PIX pelo simulacro de PIX deles.

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Lá atrás, o pai já havia mostrado vassalagem, haja vista a sua continência à bandeira estadunidense. O complexo de vira-lata é fogo, passa de pai para filho.

Ironia, o senador democrata estadunidense Tim Kaine foi contundente: “O Brasil é dos brasileiros, e tarifa e fala de Donald Trump sobre eleições são inacreditáveis” (FSP, 03/08/2026).

O candidato a presidente, explicitamente, enumera a China como inimiga, propondo estancar nossas relações com a China e aumentar com os EUA.

Além de antipatriótico, é uma cretinice, ou melhor, burrice. Nas relações internacionais, deve-se levar em conta os benefícios advindos das transações com cada país. Em 2026, por exemplo, as exportações de soja do Brasil devem ultrapassar mais de 100 milhões de toneladas, com a China importando cerca de metade deste total. Sabem quem é o principal concorrente de fornecimento de soja para a China? Um doce para quem respondeu: EUA. Hoje, graças aos esforços e pesquisas da estatal Embrapa, o Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, seguido pelos EUA. Brigar com a China significa exatamente deixar o campo aberto para os EUA. Patriota de meia-tigela é isso.

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No primeiro tarifaço, o Brasil soube se livrar, abrindo novos mercados e impulsionando as vendas para outros, agindo em consonância, sua classe produtora, o governo e suas entidades de fomento, como a APEX, diminuindo seus efeitos.

Olhando os números frios, sem paixão, fica patente como a China é fundamental para nossa economia, para o agro em particular. E mais, sem diminuir sua importância, o Brasil é um dos poucos países relevantes que têm déficit na balança comercial com os EUA, dada a volúpia consumista americana.

vendilhoes roxo

No delírio antinacional, em 23 de outubro de 2025, o Bolsonaro candidato a presidente declarou o desejo de que os Estados Unidos bombardeassem navios na Baía da Guanabara, a pretexto de combate ao crime organizado. Estariam incluídos seus amigos milicianos, políticos inclusive?

Soberania nacional? Para os Vendilhões, dane-se os escrúpulos (se é que os têm), o objetivo é privilegiar interesses familiares em detrimento da nação.

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Autor

  • Antônio Carlos Roxo é Economista pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais e doutor pela Universidade de São Paulo.

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