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Casos como o de Orlando, na Flórida, em 12 de junho, quando 49 pessoas foram mortas em uma boate voltada ao público LGBT deveriam despertar a sociedade para os efeitos de discursos de ódio e homofóbicos. Pela ascendência islâmica do assassino, grande parte da opinião pública se apressou em classificar a tragédia como mais um ato de terrorismo, mesmo com o assassino nascido e criado nos EUA. Este é apenas um subterfúgio para que não se discutam problemas tão sérios como a propagação diária de discursos de ódio.
Se a pregação de uma minoria dos religiosos islâmicos é abominável, uma parte também minoritária de líderes cristãos também tem contribuído para disseminar o desrespeito à comunidade LGBT. Um pastor batista da Califórnia chegou a dizer, para indignação de muita gente, que Orlando estaria mais segura após o massacre, já que, para ele, gays são potenciais pedófilos.
Nos EUA, o problema é agravado pela facilidade com que se adquirem armas, inclusive fuzis com grande potencial para matar. Mas, no Brasil, também devemos ficar atentos e combater dia a dia tais discursos. Os dados sobre crimes homofóbicos por aqui são alarmantes, e muitas vezes não aparecem pela dificuldade (ou falta de vontade) que as autoridades têm de diferenciar esses casos de crimes comuns.
Somente devido à repercussão do caso de Orlando apareceu na mídia o assassinato de dois professores na cidade de Santaluz, provavelmente por motivação homofóbica. A população do local, que fica a 260 km de Salvador, saiu às ruas para protestar. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, que faz levantamentos anuais sobre crimes homofóbicos, foram pelo menos 318 assassinatos por esse motivo em 2015 no Brasil, o equivalente a seis massacres da Pulse.