Leandro Conceição
A Prefeitura de Osasco promoveu, na quarta-feira, 24, seminário sobre mobilidade urbana. O evento teve a participação do prefeito Jorge Lapas (PT), especialistas em transporte, secretários municipais, vereadores, membros da sociedade civil organizada.
Entre os palestrantes, Marcos Bicalho, ex-presidente e membro do conselho diretor da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP). Em entrevista ao Visão Oeste, ele defendeu a ampliação de medidas restritivas à circulação de veículos particulares, entre elas o polêmico pedágio urbano.
O senhor defende uma postura radical do poder público com relação à mobilidade urbana. Quais os principais pontos dessa postura radical?
Não é tão radical assim, é necessária. O Brasil tem um modelo de mobilidade que se baseou no automóvel e isso está esgotada. Não há possibilidade de se fazer obras viárias para essa frota que entra todo dia nas cidades. É um problema que tem que ser enfrentado. O desafio é fazer essa mudança, se debruçar sobre a cidade, a região, analisar a realidade e enfrentar isso.
Por que o senhor defende medidas restritivas, como pedágio urbano, rodízio e restrição a caminhões?
Não é que sou favorável, acho que são medidas necessárias, inevitáveis. Uma vez que não cabem todos os carros na rua, tem que se fazer alguma coisa. Você consegue pensar São Paulo hoje sem o rodízio? Tem lugares que não dá para ter caminhão circulando. O pedágio urbano é uma questão polêmica, mas já foi implantado em alguns lugares com resultados positivos. Você diminui [a quantidade de carros nas ruas] e gera um fundo que permite se investir em melhorar o transporte público. Infelizmente não podemos esperar ter um bom padrão de transporte coletivo para depois agir. Cada prefeito vai ter que saber dosar o quanto ele avança numa coisa ou não. É necessário criar ações que restrinjam o uso do automóvel, para dar espaço para os próprios ônibus.
É possível oferecer transporte público de qualidade com tarifa zero, como defende o Movimento Passe Livre, que iniciou a onda de protestos em São Paulo?
Não é impossível fazer tarifa zero. É uma questão de ver quanto custa e de onde se tira o dinheiro. Em Osasco, por exemplo, falta saúde, creche, escola, qual a prioridade? Vai pegar dinheiro [dessas áreas]?