O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou hoje (16) que o Brasil não adotará o horário de verão em 2024. A decisão foi tomada após uma reunião com representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e leva em consideração a atual situação energética do país.
“Chegamos à conclusão de que não há necessidade de decretação do horário de verão para este período”, declarou Silveira em coletiva de imprensa realizada em Brasília. O ministro ressaltou que a segurança energética está assegurada, apesar do país ter enfrentado a pior seca já registrada em sua história este ano.
Fatores considerados na decisão:
1. Segurança energética: Segundo Silveira, medidas de planejamento adotadas ao longo do ano permitiram que os reservatórios atingissem níveis de resiliência satisfatórios.
2. Custo-benefício: O ministro explicou que o pico de eficiência do horário de verão ocorre entre outubro e meados de dezembro. Uma implementação tardia resultaria em benefícios reduzidos.
3. Condições hídricas: Apesar da seca severa, há sinais de melhora nas condições hídricas, com chuvas recentes no Sudeste e nas cabeceiras de rios importantes.
Perspectivas futuras
Embora descartado para este ano, o horário de verão não está completamente fora de cogitação para os próximos anos. Silveira afirmou que a medida será reavaliada para o verão de 2025/2026, dependendo das condições energéticas e econômicas do país.
“É importante que esta política seja sempre considerada. [O horário de verão] não pode ser fruto de uma avaliação apenas dogmática ou de cunho político”, destacou o ministro, enfatizando os reflexos da medida tanto no setor elétrico quanto na economia em geral.
Opinião pública dividida
A decisão do governo vem em um momento em que a opinião pública brasileira está dividida sobre o tema:
– Uma pesquisa do Datafolha, realizada em 7 e 8 de outubro, mostrou um empate técnico: 47% dos entrevistados são favoráveis à medida, enquanto outros 47% são contrários.
– Já um levantamento conjunto do portal Reclame Aqui e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indicou que 54,9% da população é favorável ao horário de verão, com 41,8% totalmente favoráveis e 13,1% parcialmente favoráveis.
Histórico no Brasil
O horário de verão foi implementado pela primeira vez no Brasil em 1931 e se tornou uma prática regular a partir de 1985. A medida foi suspensa em 2019 durante o governo Bolsonaro, sob o argumento de que mudanças nos hábitos de consumo da população haviam tornado a iniciativa ineficaz.
Apesar da decisão de não implementar o horário de verão este ano, o governo federal mantém a possibilidade de reconsiderar a medida para futuros períodos, levando em conta fatores energéticos, econômicos e a opinião pública.