sexta-feira, 02 de outubro de 2026
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Cidades

Osasco pede à CBV regra de transição para Tifanny e jogadora admite ir à Justiça para disputar a Superliga

Impedida de atuar após alteração nas normas de elegibilidade da entidade, atleta de 41 anos já havia renovado com o clube e cobra empatia para encerrar a carreira em quadra na temporada 2026/27

Por Soraia Sene | Atualizado em: 02/10/2026 13:13 Siga-nos no Google News
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A oposta Tifanny Abreu voltou a se pronunciar nesta quinta-feira, 1° de outubro, a respeito das alterações nas regras de elegibilidade implementadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) para as disputas da categoria feminina. Durante o evento oficial de lançamento da Superliga 2026/27, realizado em São Paulo, a jogadora do Osasco São Cristóvão Saúde teceu duras críticas à determinação da entidade máxima da modalidade, relatou ausência de empatia na tratativa do caso e manifestou a possibilidade de recorrer ao Poder Judiciário.

Diante do cenário imposto pela proibição, a diretoria do Osasco São Cristóvão Saúde busca negociar junto à CBV o estabelecimento de uma regra de transição. O objetivo da agremiação é viabilizar a participação da atleta na edição 2026/27 da Superliga, uma vez que Tifanny já havia firmado a renovação contratual antes da alteração dos critérios de elegibilidade e integrava plenamente o planejamento esportivo da equipe para o ciclo. No momento, contudo, a entidade mantém a postura de não alterar a deliberação.

Ao ser questionada a respeito de seus sentimentos frente ao veto, a atleta afirmou não guardar rancor, mas utilizou o termo “desprezo” para definir o sentimento gerado pela falta de consideração para com ela, com o clube e com o público que se espelha em sua caminhada. “A raiva, eu acho que não é um sentimento que a pessoa deveria carregar dentro do coração. A gente deveria carregar amor. E faltou muita empatia com o ser humano, com o atleta, com o clube, principalmente com todas as pessoas que se inspiram em mim no esporte. Estou aqui para mostrar que eu existo”, declarou.

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A atleta de 41 anos reforçou a intenção de concluir sua carreira dentro das quatro linhas e relembrou o marco de sua década de dedicação ao voleibol. “Quero terminar minha temporada. Dez anos atuando. Dez anos que eu inspirei muitas pessoas. Não quero encerrar a carreira assim, na sarjeta, como se nada tivesse acontecido. Não. Espero que algo possa mudar. Se não for numa boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça”, desabafou.

Impasse

O impasse teve início em agosto, mês em que a CBV anunciou publicamente a adoção de novas diretrizes de elegibilidade para os torneios da divisão feminina, formuladas segundo a entidade com base em parâmetros e orientações de órgãos esportivos internacionais. A atualização atingiu diretamente Tifanny, impedindo-a de competir na Superliga 2026/27. Em sua avaliação, a medida se configura como um mecanismo de exclusão: “Essa empatia infelizmente tá faltando do lado de pessoas que comandam o esporte, que comandam o esporte e infelizmente estão vindo com uma nova política transfóbica contra as pessoas trans”, pontuou a oposta, autora da classificação.

Presente no vôlei feminino nacional desde 2017, Tifanny foi pioneira ao estrear na Superliga defendendo a equipe de Bauru, consagrando-se como a primeira mulher trans a participar do campeonato nacional de elite entre clubes. Em 2021, transferiu-se para o Osasco, equipe com a qual participou de importantes conquistas e onde pretendia realizar a temporada de despedida.

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*Com informações do site WebVolêi

Escrito por

Soraia Sene

Jornalista, formada em 1997 pela FIAM - Faculdades Integradas Alcântara Machado. Com experiência nas redações de vários jornais da região e em assessorias de imprensa nas áreas de política, sindical, cidades, entretenimento e serviços públicos.
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