quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Barueri

Mapa da Desigualdade revela contrastes profundos entre cidades da região

Estudo do Instituto Cidades Sustentáveis analisa 40 indicadores sociais, econômicos e ambientais, mostrando que municípios ricos acumulam vulnerabilidades e que a posição no ranking geral reflete o conjunto de políticas públicas, e não apenas o PIB.

Por Soraia Sene | Atualizado em: 23/09/2026 13:06 Siga-nos no Google News
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Quando se fala em desenvolvimento na Região Metropolitana de São Paulo, a tentação imediata é associar a arrecadação municipal e o Produto Interno Bruto (PIB) à qualidade de vida de seus habitantes. No entanto, o recém-divulgado Mapa da Desigualdade, elaborado pelo Instituto Cidades Sustentáveis, desmonta essa lógica simplista e escancara realidades díspares entre municípios vizinhos.

O estudo avalia o desempenho geral de 39 municípios da região com base em 40 indicadores sociais, econômicos e ambientais, distribuídos em nove áreas temáticas. É fundamental destacar que, na metodologia do levantamento, quanto mais alta a posição, melhor é o resultado geral, ou seja, o 1º lugar não representa o ápice da desigualdade, mas sim o conjunto de indicadores mais favoráveis entre os analisados.

Enquanto Santana de Parnaíba ocupa o 2º lugar geral, cidades importantes como Barueri (17º), Osasco (18º), Jandira (6º), Cotia (27º), Carapicuíba (29º) e Itapevi (34º) mostram que uma economia forte não blinda os municípios contra vulnerabilidades severas.

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O Raio-X da Região: Do topo às zonas de vulnerabilidade

Para entender o retrato real da região, é preciso ir além da posição geral e esmiuçar o desempenho das cidades nos 40 indicadores, revelando onde cada uma brilha ou tropeça.

1. Santana de Parnaíba (2º lugar geral — Pontuação: 27,66)

Santana de Parnaíba figura nas primeiras posições gerais graças a bases sólidas em infraestrutura e saúde básica.

  • Pontos Fortes: O município brilha em meio ambiente com 100% de abastecimento de água e coleta seletiva (1ª posição em ambos). Na saúde, zerou a mortalidade por Aids e registra excelentes taxas de mortalidade prematura por doenças crônicas (2ª posição). O investimento público em infraestrutura urbana também é robusto (R$ 663,56 por habitante, 5ª posição).
  • Pontos Críticos: Apesar da alta arrecadação e de um PIB per capita expressivo (R$ 92.978,15, 7ª posição), a cidade peca na distribuição de renda: apenas 2,02% da renda municipal é apropriada pelos 20% mais pobres (35ª posição). Doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado também aparecem como um gargalo expressivo (33ª posição).

 

2. Jandira (6º lugar geral — Pontuação: 24,90)

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Surpreendendo positivamente na parte superior do ranking geral, Jandira apresenta indicadores sociais interessantes, mas sofre com gargalos estruturais agudos.

  • Pontos Fortes: O município registra excelentes marcas em desemprego geral e de jovens (ambos na 2ª posição) e proporção de pessoas abaixo da linha da pobreza pós-Bolsa Família (2ª posição). Além disso, conta com 100% de abastecimento de água.
  • Pontos Críticos: A saúde pública e a educação enfrentam barreiras severas. A cobertura vacinal despenca em 37º lugar na região, e a mortalidade infantil ocupa a 30ª posição (13,99 por mil nascidas vivas). Na cultura, há apenas 5,08 centros culturais por 100 mil habitantes (24ª posição).

 

3. Barueri (17º lugar geral — Pontuação: 23,32)

Conhecida pelo altíssimo PIB per capita (R$ 226.391,20, 2ª posição regional), Barueri surpreende negativamente ao ficar na metade inferior da tabela geral, provando que riqueza econômica não se traduz automaticamente em equidade social.

  • Pontos Fortes: O município lidera em investimento público em infraestrutura urbana por habitante (R$ 1.157,28, 1ª posição) e gabarita em abastecimento de água, coleta seletiva e energia elétrica. A mortalidade infantil é baixa (5,88 por mil, 5ª posição).
  • Pontos Críticos: O calcanhar de Aquiles de Barueri está nos indicadores de saúde preventiva e desigualdade de renda. A cobertura vacinal amarga o 31º lugar, e as doenças relacionadas ao saneamento inadequado colocam o município na 39ª posição (última colocação). Além disso, a renda apropriada pelos 20% mais pobres é de apenas 3,21% (33ª posição).

 

4. Osasco (18º lugar geral — Pontuação: 23,32)

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Empatada tecnicamente em pontuação com Barueri, Osasco ostenta um PIB per capita gigantesco (R$ 163.878,10, 3ª posição), mas sofre com desníveis sociais profundos.

  • Pontos Fortes: O município apresenta excelente rede de esgotamento sanitário (99,66%, 2ª posição) e estratégias avançadas para gestão de riscos e desastres (4ª posição). O analfabetismo na população com 15 anos ou mais é baixo (2,81%, 9ª posição).
  • Pontos Críticos: A cobertura vacinal é crítica (51,03%, 33ª posição), refletindo-se em baixas entregas na saúde preventiva. Jovens de 18 a 19 anos com ensino médio concluído somam apenas 59,24% (34ª posição), evidenciando desafios educacionais crônicos.

 

5. Cotia (27º lugar geral — Pontuação: 21,85)

Cotia aparece na faixa inferior do ranking metropolitano, evidenciando que a expansão urbana acelerada veio acompanhada de déficits em infraestrutura básica.

  • Pontos Fortes: O PIB per capita é elevado (R$ 69.460,17, 11ª posição) e a cidade garante bons índices de acesso à internet nas escolas públicas (8ª posição) e investimento em infraestrutura urbana (9ª posição).
  • Pontos Críticos: O saneamento básico é um ponto crítico: apenas 66,49% da população é atendida com esgotamento sanitário** (26ª posição). A mortalidade por Aids (32ª posição) e as mortes no trânsito (33ª posição) também exigem atenção urgente das políticas públicas.

 

6. Carapicuíba (29º lugar geral — Pontuação: 21,42)

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Com densidade demográfica alta e desafios socioeconômicos históricos, Carapicuíba reflete indicadores de vulnerabilidade expressivos.

  • Pontos Fortes: O município garante 100% de abastecimento de água e mantém taxas controladas de Gini (0,46, 7ª posição), indicando menor disparidade interna estrita no cadastro, embora com baixa renda geral.
  • Pontos Críticos: A habitação é um dos maiores problemas: 15,65% da população reside em favelas e comunidades urbanas (25ª posição). A incidência de tuberculose (67,51 por 100 mil habitantes, 34ª posição) e a gravidez na adolescência (10,38%, 32ª posição) revelam forte pressão sobre a saúde pública.

 

7. Itapevi (34º lugar geral — Pontuação: 20,73)

 

Na parte inferior do Mapa da Desigualdade, Itapevi enfrenta barreiras estruturais severas ligadas ao desemprego e à qualidade de vida de sua população.

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  • Pontos Fortes: O investimento público em infraestrutura urbana por habitante é alto (R$ 690,86, 4ª posição) e o acesso à internet nas escolas públicas atinge 70,11% (9ª posição).
  • Pontos Críticos: O mercado de trabalho é o calcanhar de Aquiles: Itapevi registra a **pior taxa de desemprego geral da região (9,56%, 39ª posição) e o pior desemprego juvenil (15,19%, 37ª posição). Além disso, a idade média ao morrer é de apenas 61,93 anos (36ª posição), a menor entre as cidades analisadas neste recorte regional.

 

O que o Mapa nos ensina?

O estudo do Instituto Cidades Sustentáveis reforça que classificar cidades apenas pelo tamanho de sua economia é um erro estratégico. Enquanto municípios como Barueri e Osasco nadam em recursos financeiros, falhas graves em saneamento, vacinação e distribuição de renda rebaixam suas notas globais. Em contrapartida, cidades menores ou com orçamentos mais modestos conseguem melhores entregas em áreas específicas de bem-estar social.

O Mapa da Desigualdade deixa de ser mero ranking e passa a ser uma ferramenta essencial para gestores públicos responderem a uma pergunta central: como estão, de fato, as condições de vida nas cidades onde moramos?

Escrito por

Soraia Sene

Jornalista, formada em 1997 pela FIAM - Faculdades Integradas Alcântara Machado. Com experiência nas redações de vários jornais da região e em assessorias de imprensa nas áreas de política, sindical, cidades, entretenimento e serviços públicos.
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