
Além de apuração da Secretaria de Saúde de Barueri, foi instaurado inquérito policial na Delegacia da Mulher para investigar a denúncia de abuso sexual de uma idosa de 67 anos cometido por dois supostos enfermeiros no Pronto Socorro do Parque Imperial.
Maria Aparecida Nunes diz que, na noite do ocorrido, houve uma queda de energia na unidade de saúde. Nesse momento, um homem teria se apresentado como funcionário e falou que iria coletar urina. “Ele falou ‘abre as pernas’. Pegou minha perna e abriu”, relata a idosa, que deu entrada no hospital após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), à reportagem exibida no SBT.
“O outro ficava rindo”
Dona Maria afirma que o suposto enfermeiro contava com a ajuda de outro funcionário e que, a todo momento, era ameaçada. “Foi muito bruto comigo. Pareciam um bicho poque o modo que ele fazia comigo por baixo, acho que nem um bicho fazia o que ele fez. O outro ficava rindo, assistindo o que ele fazia”, lembra, aos prantos. “Estou me sentindo arrasada porque isso nunca aconteceu comigo”, continua.

Ela acredita não ter sido a única vítima aquela noite. “Quando ele chegava, ela [outra idosa que estava internada] via ele e começava a chorar e gritar. Aí, o [rapaz] grande que fez isso comigo ficava do lado da cama e o outro, nos pés da cama, e falava: ‘escandalosa’. Eu pensava: ‘meu Deus, porque essa mulher grita tanto?’ Acho que do mesmo jeito que ele fez comigo, fez com ela”, conta.
“Ela estava vulnerável, ligada aos aparelhos”, diz advogada da vítima
Com medo e vergonha, dona Maria não conseguiu denunciar o ocorrido à família de imediato. Depois de não conseguir mais suportar as dores que vinha sentindo desde então, a idosa desabafou com a filha, Débora Nunes. “Ela falou ‘eu fui abusada dentro do hospital’. Eu não sabia se levantava do sofá e ia fazer a janta, se eu acalmava ela ou se eu me acalmava”, disse Débora, também ao SBT.
Dona Maria foi levada pela filha a outro hospital, onde fez uma série de exames que diagnosticaram pneumonia, infecção urinária e rompimentos internos. De acordo com a advogada da família, Ana Paula de Moraes, a idosa apresenta sinais evidentes do abuso sexual.
“Além do estupro, a ameaça”
“Ela estava vulnerável, vítima de um AVC e estava ligava a aparelhos. O agressor mandava ela calar a boca, ele ainda, infelizmente, a agrediu tanto ao toque e com palavras. Além do estupro, tem a ameaça”, declara a advogada, que faz um apelo para que outras possíveis vítimas denunciem situações semelhantes.
Débora Nunes, filha da idosa procurou a ouvidoria do hospital, mas alega ter sido ignorada. Além de fazer um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher de Barueri, onde o caso foi registrado como estupro de vulnerável, a família de Maria Aparecida entrou com um processo contra o Pronto Socorro administrado pela Prefeitura de Barueri.