Trabalhadores do Hospital Geral de Carapicuíba rejeitam proposta e aprovam estado de greve
Profissionais recusam pagamento parcelado em oito vezes como abono fora da folha e cobram aplicação imediata do reajuste salarial de 4,11% garantido em Convenção Coletiva.
Em Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã desta quinta-feira (8), os trabalhadores do Hospital Geral de Carapicuíba (HGC) rejeitaram a proposta apresentada pela Fundação do ABC, administradora da unidade, para o pagamento das diferenças salariais acumuladas desde maio e aprovaram o estado de greve.
O centro da mobilização é o descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), firmada em maio deste ano, que assegura reajuste salarial de 4,11% – índice referente à reposição integral da inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Há cinco meses os valores não são incorporados aos salários dos funcionários. A administradora alega que o atraso ocorre em razão da ausência de repasses financeiros por parte do Governo do Estado de São Paulo.
Na tarde de quarta-feira (7), às vésperas da votação, a Fundação do ABC encaminhou ao Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região (SUEESSOR) uma oferta para quitar as diferenças relativas ao período de maio a outubro. O plano previa que os valores acumulados fossem pagos como abono, fora da folha salarial e divididos em oito parcelas.
A assembleia foi conduzida pelo vice-presidente do SUEESSOR, Juarez Henrique de Paulo, e pelo secretário-geral, Amilton Arlindo de Moura Rodrigues, com apoio dos diretores Edinaldo Alves Batista e Rogério Nunes Mendes (ambos do quadro de trabalhadores do HGC), das diretoras Amélia Pereira Matos, Geni Santos Nascimento e Luciana Pereira Santos, da assessora de sindicalização Maria Cristina Porto e do advogado Dr. Flávio Bezerra. Os trabalhadores reprovaram a oferta tanto pela extensão do parcelamento quanto pelos riscos jurídicos do pagamento em formato de abono, que poderia comprometer reflexos em encargos trabalhistas e previdenciários.
Segundo o vice-presidente do sindicato, Juarez Henrique de Paulo, “as dificuldades administrativas ou financeiras não podem ser transferidas aos profissionais que, diariamente, garantem o funcionamento do hospital e a assistência à população”. O sindicato sustenta que o reajuste salarial é obrigação fixada em negociação coletiva e não pode ser condicionado como concessão voluntária ou substituído por formas de pagamento que afetem os direitos da categoria.
Com a aprovação do estado de greve, os profissionais do HGC permanecem em situação de alerta e prontidão para novas medidas coletivas legais, sem que ocorra paralisação imediata dos serviços essenciais. A entidade sindical reforçou que o impasse não é recente: desde 4 de setembro notifica extrajudicialmente a gestora para exigir a correção de 4,11%, o cumprimento de pisos salariais e benefícios previstos na convenção.
Após a deliberação dos trabalhadores, uma reunião virtual de negociação entre a Fundação do ABC e o SUEESSOR foi agendada para a própria quinta-feira (8), a pedido da mantenedora, com objetivo de buscar uma nova proposta que cumpra integralmente as cláusulas da CCT.