O vigilante da empresa TB Forte que foi baleado nas costas durante o assalto a um carro-forte em Carapicuíba na tarde desta terça-feira, 29, não resistiu aos ferimentos e morreu. A ação dos criminosos aconteceu quando o funcionário se preparava para abastecer um terminal de caixa eletrônico instalado dentro de um supermercado no bairro Cidade Ariston.
O Sindicato dos Vigilantes de Barueri afirma que “a tragédia é, infelizmente, mais uma entre as dezenas que acontecem todos os anos no país e que tem por trás uma série de motivos, sendo as principais o aumento da violência e a falta de suporte das empresas de segurança aos seus vigilantes”.
Levantamento feito pelo sindicato junto a sites de notícias e matérias publicadas pela imprensa entre janeiro e maio mostra que ao menos 10 profissionais de vigilância foram mortos ou ficaram feridos em ataques a carros-fortes ou agências bancárias apenas no estado de São Paulo neste ano.
Por isso, com a campanha #somostodosvigilantes o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Barueri e diretor jurídico da Confederação Nacional de Vigilantes e Prestadores de Serviço (CNVT), Amaro Pereira da Silva, espera chamar a atenção da sociedade para os riscos que correm os profissionais de vigilância no exercício da função.
De acordo com ele, as atividades com transporte de valor, carro-forte ou agência bancária oferecem maior risco ao profissional. Entretanto, em todas as frentes os vigilantes estão sendo vítimas.
“É preciso que haja uma busca permanente por soluções que garantam melhores condições de segurança para estes trabalhadores. Precisamos trabalhar com inteligência e em parceria com as forças de segurança do país para que nossos profissionais não entrem mais para as estatísticas”, detalha.
“O trabalhador é descartado e quem chora é a família”
Apesar do aparente prejuízo que as empresas têm com os assaltos, o diretor da CNTV lembra que os seguros costumam cobrir as perdas dos empresários. O mesmo, entretanto, não estaria valendo para os profissionais de vigilância, que perdem suas vidas ou são feridos nos confrontos, destaca Amaro Pereira.
Estatísticas apontam que em 2016 os ataques a carros-forte fizeram 189 vítimas, resultando em 14 mortes de vigilantes. Neste ponto, incomoda o sindicalista a maneira como os empresários de segurança costumam lidar com a situação. “No caso de um assalto a carro-forte, como esse de Carapicuíba, a empresa lava o veículo, troca a equipe e segue sua rotina”, diz. “O trabalhador é descartado e quem chora é a família”, lamenta.
Amaro lembra que esses empresários não tem qualquer pudor em dispensar – sem dar qualquer suporte – um vigilante que não tem mais condição para o trabalho. “A terceirização faz isso. Essas empresas “usam” os vigilantes e depois os entregam à própria sorte. E mesmo que tenha sido vítima durante o serviço, o vigilante fica na rua da amargura”, avalia.
Falta de condições
Lançada pelo Sindicato dos Vigilantes de Barueri, a campanha #somostodosvigilantes espera chamar a atenção também para os baixos salários oferecidos pelas empresas, a falta de condições de trabalho e a ausência de amparo em caso de incidentes.
Em muitos casos as doenças da mente -aquelas que não aparecem – fazem parte do saldo desta violência e muitos perdem a vida ou não conseguem mais retornar as suas atividades.
Amaro reforça que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é uma garantia ao trabalhador, que em muitos casos ela sobrepõe a legislação trabalhista. “Hoje o amparo que o trabalhador tem é da Convenção Coletiva. Ela garante acompanhamento médico-psicológico ao funcionário e seguro de vida à família”, completa.
O presidente do sindicato alerta: “Se a empresa de segurança cuidasse melhor dos seus funcionários, o final dessa triste história em Carapicuíba poderia ter sido outro”.