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Dia da Consciência Negra: osasquenses honram memória da bisavó, a última cozinheira da Princesa Isabel

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Legado de Dona Balbina perdura por décadas / Foto: Arquivo Pessoal

Em 20 de novembro, data que celebra a luta e a resistência do povo negro no Brasil, histórias como a de Carlos Camargo e sua irmã Maria Angélica de Camargo ganham ainda mais relevância. Moradores de Osasco, os irmãos têm um motivo especial para celebrar o Dia da Consciência Negra: eles são bisnetos de uma mulher negra que deixou um legado importante na história do país, a última cozinheira do Imperador Dom Pedro II e da Princesa Isabel.

Dona Balbina Mesquita, nascida em 31 de março de 1852 em Petrópolis, foi uma dessas mulheres que, através de sua habilidade e garra, ajudaram a moldar a história do Brasil. Cozinheira de mão cheia, Balbina serviu à princesa Isabel e, mais tarde, à família imperial. 

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Últimos anos de dona Balbina foram em um asilo em Sorocaba /Foto: Arquivo Pessoal

Com 113 anos, ela foi premiada em 1965 no concurso “As Mães do Ano”, promovido pela “Folhinha”, onde foi reconhecida como a mãe mais idosa da edição. Na época, ela vivia em Mairinque e, ao receber a homenagem, contou um pouco sobre suas lembranças da corte, dizendo que a princesa Isabel “não era magra nem gorda” e que o Imperador Dom Pedro II usava uma grande barba.

Bisnetos exibem honraria / Foto: Arquivo Pessoal

Além do prêmio, D. Balbina recebeu diplomas, medalhas e vários presentes como liquidificadores, blusas, discos e livros. Aos 113 anos, ela era casada, tinha oito filhos, 40 netos, 60 bisnetos e 20 tataranetos, e continua sendo um exemplo de resistência e força, não só na sua família, mas também na memória histórica do Brasil.

Foto: Arquivo Pessoal

“Neste Dia da Consciência Negra, lembramos da nossa bisavó como exemplo de garra, habilidade e da importância das mulheres negras na construção do Brasil”, diz Carlos, jornalista e publicitário, ao lado de Maria Angélica, advogada. Para eles, celebrar a memória da bisavó é mais do que resgatar uma parte de sua história familiar; é também uma forma de reconhecer o papel essencial das mulheres negras que ajudaram a moldar a cultura e a sociedade brasileira.

Foto: Arquivo Pessoal

O Dia da Consciência Negra não é apenas uma data de celebração, mas também um momento para refletir sobre as conquistas e os desafios ainda enfrentados pela população negra no Brasil. Para os moradores de Osasco Carlos e Maria Angélica, contar a história de sua bisavó é uma forma de resgatar a força e a contribuição das mulheres negras, lembrando a todos que, mesmo nas sombras da história oficial, muitos legados ainda precisam ser reconhecidos e celebrados.

Balbina Rosa foi uma mulher de força e resistência. Com 116 anos, foi internada no Asilo São Vicente de Paulo, em Sorocaba, administrado pelos vicentinos. A decisão de morar no asilo foi dela, apesar de contar com uma grande família que teria acolhido a matriarca. Ela viveu em Sorocaba até os 118 anos, onde faleceu em 1970, sendo uma das figuras mais longevas do Brasil.