domingo, 27 de setembro de 2026
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Saúde

Endometriose afeta até 15% das mulheres no Brasil e diagnóstico pode levar sete anos

Cólicas que interferem na rotina não devem ser naturalizadas; Ministério da Saúde alerta para sinais da doença e destaca a importância do diagnóstico e tratamento precoces

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 25/09/2026 18:34 Siga-nos no Google News
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Uma cólica menstrual intensa, que impede a mulher de estudar, trabalhar ou realizar atividades do dia a dia, pode ser um dos sinais de endometriose. Apesar de a dor ser frequentemente associada ao ciclo menstrual, o Ministério da Saúde estima que a doença tenha prevalência entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil. A pasta informa ainda que o diagnóstico leva, em média, sete anos após o início dos sintomas.

No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva tenham endometriose, o equivalente a aproximadamente 10% desse grupo. A organização também aponta que a doença pode provocar dor intensa, infertilidade e impactos na vida profissional, social e sexual.

“Nem toda cólica indica endometriose, mas a dor que se repete, piora ao longo do tempo ou interfere no trabalho, nos estudos e na vida sexual não deve ser banalizada. Nesses casos, é importante investigar a causa e buscar o cuidado adequado”, afirma o Dr. Sérgio Rocha, ginecologista da Santa Casa de São Roque, unidade da Prefeitura de São Roque gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

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O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio, que reveste internamente o útero, fora da cavidade uterina. Segundo o Ministério da Saúde, esse tecido pode atingir regiões como ovários, trompas, bexiga e intestino, provocando uma reação inflamatória.

As causas da doença ainda não são completamente conhecidas. Entre as hipóteses estudadas estão fatores genéticos, hormonais e imunológicos, além da chamada menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual retorna pelas tubas uterinas em direção à cavidade abdominal.

Sintomas podem começar ainda na adolescência

De acordo com o Ministério da Saúde, a endometriose pode afetar adolescentes e jovens adultas logo após o início da menstruação. Cólicas muito intensas e dores durante as evacuações ou relações sexuais estão entre os sinais que merecem investigação.

Entre os sintomas associados à doença estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, dificuldade para engravidar e alterações intestinais ou urinárias que podem apresentar relação com o período menstrual.

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A intensidade da dor, porém, não necessariamente corresponde à extensão da doença. Algumas mulheres podem apresentar sintomas intensos sem alterações significativas nos exames de imagem, enquanto outras podem ter endometriose com poucos sintomas, o que pode dificultar a identificação da condição.

“Algumas mulheres apresentam lesões mais avançadas e poucos sintomas, enquanto outras convivem com dores incapacitantes mesmo diante de alterações aparentemente pequenas. Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto de manifestações e o impacto na vida da paciente”, explica o Dr. Sérgio.

Por que o diagnóstico pode demorar?

Um dos fatores relacionados à demora no diagnóstico é a naturalização da cólica menstrual. Quando a dor é considerada parte normal do ciclo, a busca por atendimento pode ser adiada.

Além disso, os sintomas da endometriose podem ser semelhantes aos provocados por outras condições ginecológicas, intestinais ou urinárias. Essa variedade de manifestações pode dificultar a identificação da doença e fazer com que a investigação seja prolongada.

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Segundo o Ministério da Saúde, o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico da endometriose é de sete anos. A pasta destaca a importância de equipes de saúde reconhecerem os sinais da doença para favorecer o diagnóstico e o tratamento oportunos.

Como é feita a investigação?

A investigação pode começar na atenção primária à saúde, como em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), ou durante uma consulta com ginecologista. De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico é inicialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico da paciente.

Quando necessário, podem ser solicitados exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve. Esses procedimentos auxiliam na identificação da localização e da extensão das lesões e na definição da conduta médica.

“Um exame normal não deve encerrar a investigação quando os sintomas continuam. O diagnóstico é construído a partir da história da paciente, do exame clínico e, quando indicado, de exames de imagem adequados”, destaca o médico.

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A videolaparoscopia pode ser indicada em situações específicas, tanto para avaliação quanto para tratamento. No entanto, segundo o Ministério da Saúde, o tratamento pode ser iniciado mesmo sem confirmação por exame de imagem ou cirurgia quando os sintomas são compatíveis com a doença.

Tratamento é definido de acordo com cada paciente

Após a identificação da endometriose, o tratamento deve considerar as características de cada paciente. Segundo o Ministério da Saúde, fatores como intensidade dos sintomas, localização e extensão da doença, idade, condições clínicas, possíveis efeitos dos medicamentos, riscos cirúrgicos e desejo de gravidez influenciam a escolha da abordagem.

O tratamento pode envolver medicamentos hormonais, analgésicos e anti-inflamatórios, além de acompanhamento multiprofissional. Em determinadas situações, também pode ser indicada cirurgia, especialmente quando o tratamento clínico não apresenta resposta suficiente ou existem complicações.

O SUS oferece tratamento clínico e cirúrgico para a endometriose dentro do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença. O Ministério da Saúde também informa que a atenção primária funciona como porta de entrada para avaliação, início do cuidado e encaminhamento à atenção especializada quando necessário.

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“Receber o diagnóstico não significa necessariamente que a paciente precisará passar por uma cirurgia ou que não poderá engravidar. O tratamento deve considerar o projeto de vida da mulher, inclusive seus planos reprodutivos”, afirma o Dr. Sérgio.

Quando procurar atendimento?

Mulheres que apresentam cólicas muito intensas, dores recorrentes ou sintomas que interferem na rotina devem procurar atendimento de saúde para avaliação. O Ministério da Saúde orienta que pessoas com suspeita de endometriose procurem uma Unidade Básica de Saúde, onde a equipe pode avaliar os sintomas, iniciar o cuidado e realizar o encaminhamento para atendimento especializado quando necessário.

A identificação dos sinais e a busca por atendimento podem contribuir para reduzir o tempo até o diagnóstico e permitir que o tratamento seja iniciado de acordo com as necessidades de cada paciente.

Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
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