sábado, 26 de setembro de 2026
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Curativo líquido desenvolvido na Unicamp pode reduzir tempo de cicatrização em até 50%

Curativo líquido desenvolvido na Unicamp forma película em 45 segundos e pode reduzir o tempo de cicatrização em até 50%.

Por Aline Ferrari | Atualizado em: 25/09/2026 18:25 Siga-nos no Google News
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Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp desenvolveram um curativo líquido que pode reduzir em até 50% o tempo de cicatrização de feridas. A tecnologia forma uma película protetora transparente sobre a região lesionada em até 45 segundos, sem a necessidade de gaze, esparadrapo ou outros materiais de cobertura.

Além de proteger o ferimento, o curativo é resistente à água, permite a movimentação em regiões de articulação e é absorvido naturalmente pelo organismo durante o processo de cicatrização. A solução também utiliza solventes de origem renovável e não tóxicos para o ser humano.

A pesquisa foi coordenada pelo professor Rubens Maciel Filho, com participação dos pesquisadores André Luiz Jardini Munhoz, Ana Flávia Pattaro e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon.

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Como funciona o curativo líquido

A tecnologia foi desenvolvida para substituir métodos tradicionais de proteção de ferimentos, como gazes, ataduras e fitas adesivas. Após ser aplicado diretamente sobre a pele lesionada, o líquido seca em até 45 segundos e forma uma película protetora.

Segundo os pesquisadores, essa película funciona como uma estrutura tridimensional que serve de suporte para a regeneração das células. Ao mesmo tempo, cria uma barreira contra agentes externos que podem favorecer infecções.

Outro diferencial é que o material não precisa ser retirado manualmente. O polímero utilizado na formulação é metabolizado pelo organismo enquanto a ferida cicatriza.

O curativo também é transparente, o que permite acompanhar visualmente a evolução do ferimento sem precisar remover a proteção.

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Tecnologia busca reduzir desconforto dos curativos tradicionais

Os pesquisadores apontam que a troca dos curativos convencionais pode causar desconforto e até retirar parte do tecido novo que está se formando. O contato com água durante o banho e a necessidade de esfregar ou manipular a região também podem prejudicar a recuperação.

Em áreas como cotovelos e joelhos, o problema pode ser ainda maior por causa dos movimentos constantes. Gazes e outros materiais podem gerar atrito, descolar ou limitar a mobilidade.

Com a película líquida, a proposta é manter a proteção mesmo em regiões de articulação. Por ser resistente à água, o paciente também poderá tomar banho sem precisar cobrir novamente a área protegida.

“O grande atrativo da tecnologia em que a Dermbio se baseou é que ela pode levar a um novo método de cobertura da ferida sem haver nenhum toque nela”, explica Rubens Maciel Filho.

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Solvente não tóxico é um dos diferenciais

Um dos desafios enfrentados durante o desenvolvimento estava relacionado ao processamento do polímero utilizado na tecnologia. Embora o material seja reconhecido por sua biocompatibilidade, os métodos utilizados para transformá-lo em uma solução líquida normalmente dependiam de solventes tóxicos.

Para viabilizar a aplicação diretamente sobre a pele, os pesquisadores desenvolveram um sistema próprio de solventes renováveis, ambientalmente sustentáveis e não tóxicos.

“Nosso grande diferencial em escala mundial foi encontrar um sistema de solventes que solubiliza o polímero sem ser tóxico para o ser humano”, afirma Ana Flávia Pattaro, doutora em Engenharia Química pela Unicamp.

A formulação também permite que a película se adapte ao tamanho e ao formato do ferimento, sem a necessidade de cortar ou ajustar previamente o material.

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Aplicação pode reduzir riscos de contaminação

Outra vantagem apontada pelos pesquisadores é a possibilidade de diminuir situações de contaminação durante a troca dos curativos.

Nos métodos convencionais, materiais como gazes e mantas precisam ser cortados e substituídos, o que pode exigir o uso de instrumentos que, caso não estejam devidamente esterilizados, podem levar microrganismos para a região lesionada.

Como o curativo líquido não precisa ser trocado e é absorvido pelo organismo, a tecnologia também pode reduzir a geração de resíduos biológicos.

“O fato de você não precisar trocar e de esse material ser absorvido pelo corpo faz com que você também não gere resíduos biológicos”, explica Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon.

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Curativo também pode ser utilizado em animais

Os pesquisadores identificaram ainda um possível uso veterinário para a tecnologia. Em animais, curativos convencionais podem apresentar dificuldades porque os próprios animais podem arrancar as ataduras ou lamber a região lesionada.

A forte aderência à pele e a resistência à água podem ajudar a manter a proteção sobre o ferimento. A aplicação prevista para os animais é semelhante à desenvolvida para o uso humano.

De acordo com Rubens Maciel Filho, o processo também já passou por testes de escalonamento para avaliar sua produção em maior escala.

Pesquisa já passou por testes pré-clínicos

A tecnologia foi submetida a ensaios pré-clínicos in vivo, realizados em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). De acordo com os pesquisadores, os testes indicaram uma redução de aproximadamente metade no tempo de cicatrização em comparação com curativos tradicionais.

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O desenvolvimento recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e contou com o suporte estratégico da Inova Unicamp para o processo de licenciamento.

A tecnologia foi licenciada com exclusividade para a Dermbio Biotech, empresa spin-off acadêmica da Unicamp criada a partir de pesquisas desenvolvidas na universidade. A empresa tem participação dos próprios inventores e busca levar a solução ao desenvolvimento comercial.

Tecnologia ainda passa por etapas antes de chegar ao mercado

Atualmente, a Dermbio Biotech trabalha nas etapas regulatórias necessárias para que o produto possa ser disponibilizado comercialmente. O processo inclui os requisitos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além da estruturação da produção e comercialização.

O grupo também avalia outras possibilidades de aplicação para a tecnologia. Entre elas estão o desenvolvimento de dermocosméticos voltados ao antienvelhecimento, o recobrimento de implantes e próteses e o uso do material para a liberação controlada de medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios.

Escrito por

Aline Ferrari

Aline Ferrari, estagiária na Redação do Visão Oeste, sob a supervisão da editora Jenifer Oliveira
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