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Entre o concreto e o caos: o resgate da beleza nas cidades

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Coluna de Bruno Sindona no Visão Oeste

As cidades metropolitanas da Grande São Paulo refletem décadas de crescimento desordenado, onde a estética urbana foi frequentemente negligenciada em favor de soluções rápidas para demandas emergentes. Essa abordagem resultou em espaços urbanos que, embora funcionais, carecem de beleza e harmonia, afetando negativamente a qualidade de vida e a autoestima dos cidadãos.

Sempre defendi que a valorização estética das cidades não é um capricho, mas uma necessidade fundamental para o desenvolvimento sustentável e para o bem-estar coletivo. Em minha trajetória como empresário do setor imobiliário, percebi que ambientes urbanos bem planejados e visualmente agradáveis não apenas melhoram a vida das pessoas, mas também atraem investimentos, promovem o turismo e incentivam a valorização imobiliária. Além disso, espaços públicos de qualidade estimulam a convivência comunitária e podem até mesmo reduzir índices de criminalidade. O planejamento urbano eficaz coordena a distribuição espacial das atividades econômicas, facilitando a captura de valor dos investimentos públicos e privados.

Ao longo dos anos, acompanhei exemplos inspiradores de transformação urbana pelo mundo. Medellín, na Colômbia, é um desses casos que me fascinam. Nos anos 1990, a cidade enfrentava altos índices de violência e degradação urbana. Por meio de um plano estratégico focado em urbanismo social, Medellín implementou projetos que integraram áreas marginalizadas ao tecido urbano, utilizando arquitetura e design como ferramentas de inclusão. A construção de bibliotecas-parque, a instalação de teleféricos conectando comunidades isoladas e a criação de espaços públicos de qualidade foram fundamentais para essa metamorfose. Essas iniciativas não apenas revitalizaram a cidade, mas também promoveram um senso de pertencimento e orgulho entre os habitantes. São exemplos que mostram que é possível reverter um cenário de abandono urbano com planejamento, visão e compromisso.

A experiência de Medellín também reforça a importância da gentileza urbana, algo que sempre considerei essencial para cidades mais humanas. Gentileza urbana é a capacidade de uma cidade incentivar interações positivas entre seus habitantes, estimular o respeito mútuo e promover o cuidado com o espaço coletivo. Quando a estética e a funcionalidade dos espaços públicos são priorizadas, criamos ambientes que convidam as pessoas a se apropriarem da cidade de forma mais ativa e respeitosa.

No contexto da Grande São Paulo, vejo como urgente a necessidade de que o poder público abandone sua visão limitada e compreenda a importância da beleza urbana como um componente essencial do desenvolvimento sustentável. Políticas que incentivem projetos arquitetônicos inovadores e a requalificação de áreas degradadas são passos fundamentais para construir cidades mais humanas e acolhedoras. O setor privado também tem um papel fundamental nesse processo. Como fundador da Sindona Inc., acredito que os empreendimentos imobiliários devem ir além da simples construção de moradias; devem ser agentes de transformação, promovendo a integração dos espaços urbanos e elevando a autoestima dos cidadãos.

A busca por cidades mais belas não é um detalhe secundário; é uma questão central para a qualidade de vida. Precisamos estabelecer um compromisso social que valorize a estética urbana, reconhecendo-a como um direito de todos e um pilar fundamental para o futuro das nossas metrópoles.

 

Autor

  • Bruno Sindona é empresário e fundador da Sindona Inc., desenvolvedora imobiliária focada na criação de empreendimentos que impactam positivamente a vida das pessoas e o desenvolvimento das cidades. Natural de Osasco, integra o Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República e foi eleito Empreendedor Social do Ano de 2023 pela Folha de S. Paulo. Também fez parte da lista Under 30 da Forbes, sendo reconhecido pelo impacto de seus projetos no setor imobiliário.

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