As cidades metropolitanas da Grande São Paulo refletem décadas de crescimento desordenado, onde a estética urbana foi frequentemente negligenciada em favor de soluções rápidas para demandas emergentes. Essa abordagem resultou em espaços urbanos que, embora funcionais, carecem de beleza e harmonia, afetando negativamente a qualidade de vida e a autoestima dos cidadãos.
Sempre defendi que a valorização estética das cidades não é um capricho, mas uma necessidade fundamental para o desenvolvimento sustentável e para o bem-estar coletivo. Em minha trajetória como empresário do setor imobiliário, percebi que ambientes urbanos bem planejados e visualmente agradáveis não apenas melhoram a vida das pessoas, mas também atraem investimentos, promovem o turismo e incentivam a valorização imobiliária. Além disso, espaços públicos de qualidade estimulam a convivência comunitária e podem até mesmo reduzir índices de criminalidade. O planejamento urbano eficaz coordena a distribuição espacial das atividades econômicas, facilitando a captura de valor dos investimentos públicos e privados.
Ao longo dos anos, acompanhei exemplos inspiradores de transformação urbana pelo mundo. Medellín, na Colômbia, é um desses casos que me fascinam. Nos anos 1990, a cidade enfrentava altos índices de violência e degradação urbana. Por meio de um plano estratégico focado em urbanismo social, Medellín implementou projetos que integraram áreas marginalizadas ao tecido urbano, utilizando arquitetura e design como ferramentas de inclusão. A construção de bibliotecas-parque, a instalação de teleféricos conectando comunidades isoladas e a criação de espaços públicos de qualidade foram fundamentais para essa metamorfose. Essas iniciativas não apenas revitalizaram a cidade, mas também promoveram um senso de pertencimento e orgulho entre os habitantes. São exemplos que mostram que é possível reverter um cenário de abandono urbano com planejamento, visão e compromisso.
A experiência de Medellín também reforça a importância da gentileza urbana, algo que sempre considerei essencial para cidades mais humanas. Gentileza urbana é a capacidade de uma cidade incentivar interações positivas entre seus habitantes, estimular o respeito mútuo e promover o cuidado com o espaço coletivo. Quando a estética e a funcionalidade dos espaços públicos são priorizadas, criamos ambientes que convidam as pessoas a se apropriarem da cidade de forma mais ativa e respeitosa.
No contexto da Grande São Paulo, vejo como urgente a necessidade de que o poder público abandone sua visão limitada e compreenda a importância da beleza urbana como um componente essencial do desenvolvimento sustentável. Políticas que incentivem projetos arquitetônicos inovadores e a requalificação de áreas degradadas são passos fundamentais para construir cidades mais humanas e acolhedoras. O setor privado também tem um papel fundamental nesse processo. Como fundador da Sindona Inc., acredito que os empreendimentos imobiliários devem ir além da simples construção de moradias; devem ser agentes de transformação, promovendo a integração dos espaços urbanos e elevando a autoestima dos cidadãos.
A busca por cidades mais belas não é um detalhe secundário; é uma questão central para a qualidade de vida. Precisamos estabelecer um compromisso social que valorize a estética urbana, reconhecendo-a como um direito de todos e um pilar fundamental para o futuro das nossas metrópoles.